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2004/12/29

Momentos: ...de ajudar 

...por pouco que seja, será sempre uma ajuda.

Assistência Médica Internacional:

Banco Espírito Santo – nº 015/40000/0006
Multibanco - entidade 20909 e referência 909 909 909 em Pagamento de Serviços
Tranferência bancária para o BES - NIB 000700150040000000672

"SOS Crianças da Ásia" da UNICEF:

Caixa Geral de Depósitos – NIB 003501270002824123054

Caritas ajuda vítimas do Sudeste asiático:

Caixa Geral de Depósitos – NIB 003506970063091793082

Apelo emergência da Cruz Vermelha:

Banco Português de Investimento – NIB 001000001372227000970

2004/12/27

Segundos... 

Um bom alicerce para o casamento é o desentendimento mútuo.


Oscar Wilde

2004/12/24

Música: Sons de paz 

Duas da tarde. Paris aquece finalmente num dia de Verão surpreendentemente chuvoso. O sol bate na igreja de Saint Germain de Prés. Decidimos entrar, não me lembro porquê... Ao entrarmos, a minha primeira sensação foi de paz. A luz, escassa, parecia pairar ao som das vozes tranquilas que cantavam um magnificat. O som guiou os nossos passos e conduziu-nos até ao fundo da igreja, até à abside da qual radiavam capelas. E foi aí que os encontrámos. Um grupo de jovens com partituras na mão. Sentámo-nos para ouvir e ficámos assim, imóveis e silenciosos, até que eles se começaram a levantar e a sair. Pelas capas onde guardavam as partituras, percebemos que se chamavam Taizé. Quem seriam?

Os Taizé estão agora em Lisboa. São milhares de jovens, oriundos de toda a Europa, que se encontram em Lisboa entre 28 de Dezembro e 1 de Janeiro. São um grupo religioso diferente. Nasceu em França para partilhar uma mensagem de paz comum às várias igrejas cristãs de onde os seus membros vêm. Escrevem no seu site que atravessam fronteiras humanas e geográficas não para procurar os separa mas sim o que os une; não para se confortarem no pessimismo mas sim para partilharem os sinais de esperança.

Feliz Natal!

2004/12/21

Livros: Veneza misteriosa 

Em Veneza, os gatos vigiam os pátios escuros, lugares escondidos no labirinto de ruas de uma cidade irreal, vértices mágicos onde o tempo pára. Em Veneza há portas que escondem segredos perdidos no tempo, há telhados que se percorrem como canais traiçoeiros. Em Veneza a Lua fala numa língua perdida que poucos mortais ousam compreender. Em Veneza a alma acorda...

Corto Maltese embrenha-se nessa cidade, perde-se nas suas ruas, encanta-se com a sua música... Corto ousa seguir a Lua em busca de uma jóia mágica, ousa despertar as forças adormecidas e secretas. E nós seguimo-lo, numa fábula fascinante que nos prende.

Há, em Veneza, três lugares mágicos e secretos: Um, na Rua do Amor dos Amigos, um segundo nas proximidades da Ponte das Maravilhas, e um terceiro na Calle dei Marrani, perto de San Geremia, no velho ghetto. Quando os venezianos - por vezes, malteses - se cansam das autoridades, dirigem-se a esses lugares e, abrindo as portas do fundo desses pátios, partem para sempre para países fantásticos e outras histórias.

Fábula de Veneza, Hugo Pratt (reeditado pela Meribérica/Liber)

2004/12/20

Música: Uma noite mágica... 

Com toda a palavra, com todo o sorriso, com todo o olhar, com toda a carícia... Há duas semanas, a noite foi especial porque Lhasa de Sela, uma mulher de corpo seco e magro, com uma voz rouca e doce, entregou a sua música e a sua alma a uma Aula Magna completamente cheia por um público rendido.

Não faltou nada. Lhasa encantou pela sua simplicidade, pelo esforço com que falou em português, pelas histórias de si própria que partilhou com tantos desconhecidos... Um dos momentos mais especiais foi quando ela cantou o fado Meu Amor da nossa Amália, que tinha aprendido, assim, como se fosse tão simples, da última vez que tinha estado em Portugal.

Lhasa deu vida a sua estrada e à nossa noite. Uma noite mágica...

2004/12/15

Teatro: E se o mundo não fosse assim? 

A magia do teatro leva-nos até ao inverno de 1933. Estamos em Nova Iorque, em pleno período da lei seca. Passam-nos vidas pela frente... Primeiro Johnny Brannigan, à procura do próximo esquema para ganhar uns palhaços. Depois Little Pinks, frágil, apaixonado perdidamente pela Rainha, uma antiga corista que foi atirada das escadas abaixo e ficou com as pernas paralisadas. Tenta tomar conta dela e parece beber a atenção dela sempre que ela o chama (e lhe chama): "oh psst!" Em seguida, Rusty, um bandido à séria, perdeu o coração nas ruas de Nova Iorque, mais ou menos na mesma altura em que se perdeu de si próprio. Por último, Jackie O'Heart, ora bem, ora bem, um escroque genuinamente cheio de esquemas. E por onde nos levam eles? Primeiro por uma Nova Iorque fria e cortante, depois até uma Miami quente mas igualmente impiedosa. E se o mundo não fosse assim?

O texto desta peça (notável!) é de José Maria Viera Mendes e a produção dos Artistas Unidos. O actores, sobretudo o Miguel Borges, estão absolutamente fantásticos. Três actores dão vida a cinco personagem principais e outras duas secundárias, conseguindo despertar emoções num público rendido ao ritmo com que a história é contada. Vale mesmo a pena saborear a peça, usufruir do restaurante bar do teatro, com a sua vista magnífica sobre a Lisboa e, no fim, comprar o livrinho com o texto da peça... Só até ao próximo domingo.

2004/12/13

Teatro: As Laranjas são de facto Azuis! 

Algures escreveram: José Pedro Gomes, Pedro Laginha e Carlos Paca são o trio de actores que compõem o elenco da peça que se encontra na Sala Polivalente do Hospital Júlio de Matos, em Lisboa. O texto fala de racismo, estatuto social, solidão e doenças mentais, com um pouco de humor negro à mistura. Esta adaptação da peça homónima do jovem dramaturgo britânico Joe Penhall conta a história de um doente de origem africana que aguarda alta num hospital psiquiátrico. Lá encontra dois médicos (um estagiário e outro já antigo na instituição) que se travam de razões e argumentos para decidirem se ele deve ou não sair. O doente sofre provavelmente de esquizofrenia, diz-se filho de um ditador africano e queixa-se de ver laranjas azuis.

Carlos Paca revela-se uma agradável surpresa. Consistente, emotivo e com grande capacidade de "metamorfosear-se". Gostei muito. Chegados ao Hospital para assistir à peça, seguimos em caminhada por entre os grandes e imponentes edifícios do Júlio de Matos. Estranho e desadequado - pensei. A loucura passa a ser tema dentro de um espaço conotado de "loucos"... foi uma atitude de risco, a roçar a demência de quem vive fora de patologias. Visíveis claro...

Da discussão da peça importa referir que acentua um descrédito, talvez propositado, perante as instituições psiquiátricas. Ainda que seja essa a intenção, espero não estar a ser injusta na leitura que hoje faço, mas se esse é o propósito, pergunto-me qual o seu objectivo, num momento em que andamos a correr contra a psicopatologia galopante desta nossa nova sociedade. E... desacreditados em psicologia e instituições pesadas e associadas a espaços de entrega de seres humanos inadaptados... faz parte de um processo de deseducação. De todos nós.

Há no entanto uma mensagem da peça que me chamou positivamente. Senti que, apesar da ironia da “gestão psíquica” sobre a saída ou não do "doente", acabou por ser unânime a decisão de o devolver à vida partilhada entre os "normais" (com supervisão adequada e acompanhamento permanente) em vez de o enclausurarem num espaço que lamentavelmente nada de melhor lhe poderia dar que não uma boa dose de químicos... para falsear uma vida real que até afinal não lhe trazia grande verdade dele mesmo. Acabado o efeito químico... há sempre que voltar a si e encarar-se de frente.

2004/12/12

Segundos...  

Já não sou eu, mas outro que mal acaba de começar...


Samuel Beckett

2004/12/11

Entre-aspas: Excelentes profissionais... 

Há uns dias atrás um grande amigo ligou-me, a perguntar se tinha lido um artigo sobre "Psicopatas de colarinho branco..." na Revista Única da passada semana. Acrescentou ainda que eu iria concerteza gostar e até, quem sabe (!), encontrar (reconhecer) a descrição de "figurinhas" nossas conhecidas! Sorri. Hoje de manhã peguei na revista e devorei o artigo.

«(...) As pessoas ainda lidam mal com esta classificação porque o termo “psicopata” permanece muito associado à figura de alguém que rapta, tortura e esquarteja, apesar de estes serem os casos raros. (...) Um dos traços essenciais destes indivíduos é a incapacidade de se emocionarem com o sofrimento dos outros, mesmo quando são eles a causar esse sofrimento. (...)»

O artigo explica que estes possuem traços de personalidade geralmente comuns: egocêntricos, megalómanos, assertivos (este aprendi eu que seria um dos traços para um excelente nível de desempenho...), combativos, arrogantes e manipuladores. [Uff !] E que... algumas destas características são reconhecidas como grandes qualidades num líder, que deve ser enérgico, afirmativo e dominador. E explica muito mais...

De facto, há duas considerações que não resisto a partilhar. A primeira, ainda que em jeito de retórica breve e objectiva: não seremos cúmplices dos psicopatas de colarinho branco?! Ou afinal a sua existência não derivará deste contexto de jovialidade apressada e brutalmente reconhecida pelos cérebros da gestão das corporações? A segunda talvez mais pessoal e introspectiva. Não posso seguir um caminho com uma atitude de responsabilização em massa sobre este tema. Seria demasiado perverso assumir que todos co-construímos esta nova psicopatologia... Opto por olhar à minha volta e tentar reconhecer e identificar quem mantém os seus valores essenciais e não se deixa perverter... e os restantes. Um colaborador da empresa onde trabalho, em quem eu confiava como alguém mais próximo do que somente isso, disse-me um dia: "É verdade, traí-te. Mas sabes, é para sobreviver...não havia alternativa".

E assim se ganham fantasias de tensão que guiam o desejo de vencer. Talvez quando lá chegarem já não possam voltar para trás. Quanto aos psicopatas... os maiores, são os que conhecem a existência dos primeiros, e possuem condições de modificar e melhorar a vida profissional (quem sabe de uma empresa inteira!) e nada fazem pois bem lá no fundo... identificam-se com os seus comportamentos. Recrutaram-nos, certo?! Imagens de excelentes profissionais, jovens executivos que sobem rapidamente nas carreiras... E um dia, descobrem-se. E finalmente o vazio é o único lugar que conhecem.

2004/12/10

Momentos: Cícero 

Pois nada pode acontecer sem causa; nada acontece que não pudesse acontecer e quando aquilo que era possível acontecer, aconteceu, não pode ser interpretado como milagre. Por conseguinte, não há milagres...

Sendo assim, tira-se esta conclusão: aquilo que não podia ter acontecido, nunca aconteceu, e aquilo que podia ter acontecido não é um milagre.

Cícero, De Divinatione

2004/12/09

Teatro: Confissões de mulheres de 30 

Vi as Confissões de Mulheres de 30 quando estreou e, não sei bem porquê, não me deu para escrever nessa altura... Não foi por não ter gostado, porque até me diverti bastante com a peça. Talvez tenha sido por não me ter entusiasmado com o vi.

A peça brinca, muito na linha da série O sexo e a cidade, com o carácter de ponto de viragem que se constuma atribuir aos 30 anos numa mulher. É aí que a peça abusa dos lugares comuns, alguns dos quais soam de forma menos natural, talvez a denunciar que a peça foi escrita pelo brasileiro Domingos Oliveira a pensar na sua realidade local. Gostei da encenação e da forma criativa como o vídeo foi usado, pontuando ou sublinhando o que se passava no palco. O elenco da peça cumpre, embora a naturalidade de Maria Henrique sobressaia claramente face à representação de Fernanda Serrano e de Margarida Marinho.

Agora fico à espera que surja uma peça que brinque com a mudança que os 30 anos representam para homens e mulheres de uma forma mais inteligente, sem se refugiar em piadas sexistas mais ou menos óbvias.

2004/12/08

Música: O novo regresso de Jorge Palma 

Desta vez, Jorge Palma não esperou 13 anos para nos dar mais um disco. Bastaram três para que Norte sucedesse a Jorge Palma. Tenho-o há duas semanas e tem-me sabido muito bem ouvir este disco. É verdade que não traz grandes novidades nem será recordado como o disco do ano, mas são 15 boas canções de um dos nossos melhores escritores de canções, com alguns momentos altos como Os Demitidos. Aliás, depois de ouvir esta música fiquei a pensar se o Jorge Palma não terá feitos umas visitas a Belém antes da edição do disco... Será que ele voltou à sua vocação de cantor de intervenção?

Fiquei surpreendido com a reacção fria que o Norte teve junto dos críticos (vejam, por exemplo, o que o Blitz escreveu sobre o disco). Acho que o "problema" de Jorge Palma é que ele já fez o disco perfeito. Esse disco chama-se e é um diamante lapidado em forma de música. Depois desse disco, qualquer coisa soaria a pouco. Mesmo assim, vale a pena encontrar o Norte...

2004/12/07

Música: Whiskey Tango Ghosts 

Há uns anos, um amigo dizia-me que todos tinhamos discos que gostariamos que fossem só nossos. Uma cópia, só nossa. Como isso não era possível, apetecia escondê-los e não contar a nímguem. Não falar deles nem aos amigos mais íntimos. Sempre achei um exagero, pelo menos até um certo ponto. Com o tempo comecei a compreendê-lo melhor e hoje ao ouvir Whiskey Tango Ghosts, apetecia-me mesmo fazer o que ele dizia (logo ele que actualmente passa a vidinha a ouvir discos e a escrever sobre eles).

Tanya Donelly
sempre foi uma das vozes preferidas dele, por isso quando há uns meses me dizia que este disco, o terceiro a solo da menina que fez parte de Belly, Throwing Muses com a sua meia-irmã Kristin Hersh, ou Breeders com Kim Deal dos Pixies, era sem dúvida o seu melhor trabalho e um disco que eu iria gostar muito e ouvir vezes sem conta, achei que seria um pouco exagero, mas sem dúvida iria ouvir. Pois meu amigo, voltas a acertar.

Considero Hips and Makers de Kristin Hersh um dos meus 5 albuns de sempre e esperava que a voz de Tanya tivesse finalmente um disco à sua altura, depois de em Beautysleep parecer estar tão próxima. A altura da maturidade. Whiskey Tango Ghosts está lá, movimentando-se entre os sons de uma country quase clássica de guitarra e piano e slide-guitar, o quase jazz de piano e voz, letras belíssimas, ensombradas, melodias tão leves que parecem ir desvanecer-se no próximo segundo, e a voz de menina, que suspeito, e espero, nunca perderá.

2004/12/06

Momentos: Buarque e Pratt 

Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega
Mas não lava
Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta
Morta de cansaço
Quero pesar feito cruz nas tuas coisas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem
Quer ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, a ferro e fogo
Em carne viva

Corações de mãe
Arpões, sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo
Mas não sentes

texto: Chico Buarque
imagem: Hugo Pratt

2004/12/05

Momentos: ...de amar 

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia de Mello Breyner Andersen

2004/12/03

Música: Quase obra-prima 

Infelizmente já não me surpreendo facilmente com os discos que vou ouvindo. Chego muitas vezes à conclusão triste que já ouvi aquilo outras vezes, que não é nada de novo, que não me emociona... Felizmente, de vez em quando, há um disco que me agarra e me faz acreditar que talvez possa continuar a ouvir coisas novas, que não tenho já a lista dos discos que irei ouvir durante os próximos 30 anos.

Is All Over the Map de Giant Sand é quase uma obra-prima e é tão bom de ouvir que até irrita. Viciante, pegajoso mesmo, na forma como as suas músicas se colam a nós, deambulando por géneros tão diferentes (?) como o rag, o country, os blues, o folk, o rock simples dos anos 50, a atitude home-maded, o low-fi, a estranha sensação que quem fez isto fê-lo de uma forma tão fácil que nos envergonha ou nos faz pensar que podiamos ser nós a fazê-lo. Não será assim, é certo, mas por momentos...

Ouça-se a peça para piano e guitarra de cordas de aço desafinada de nome Drab, ou o rock de vozes deformadas a lembrar Frank Black de Flying Around the Sun at Remarkable Speed, ou... podiamos esquecer o quase no título...

2004/12/02

Segundos... 

Creio que a música continua a beleza da poesia sem a ideia.


Oscar Wilde

2004/12/01

Livros: Mais Sin City 

Se perguntarmos a alguém o que impressiona na "leitura" das obras de Frank Miller à volta da decadente e escura Sin City, iremos obter várias respostas. Uns dirão que os impressiona o fantástico alto contraste do desenho, outros dirão que é a narrativa, outros ainda que é a forma como se "lê", rápidamente mas obrigando a paragens apenas para apreciar um pequeno detalhe numa página. Outros não saberão explicar, justificando apenas que é... bom. Tudo.

Incluo-me neste último grupo. Depois do primeiro volume Sin City, a Devir volta a publicar a obra maior de Miller, com o volume Mulher Fatal (A dame to kill for). Para quem leu o primeiro, abandonamos agora a personagem de Marv (bem, um pouco, pelo menos...), o bruto gigantesco, para abraçarmos a história de Dwight, personagem assombrada por erros no passado, que abomina a violência e principalmente a perda do controle. Como se encaixa uma personagem branda e gentil, (com uma consciência!) numa cidade como Sin City?

Mais 208 páginas de puro deleite.

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