2004/05/30
Segundos...

a. j. valverde
2004/05/29
Música: Um saxofone e quatro vozes

A receita é arrojada e consiste em fundir dois mundos aparentemente desconexos. A música antiga dos Hilliard é um livro de memórias vivas, memórias que começam no início da polifonia e que se estendem pelos séculos. O jazz de Garbarek aparece aqui na sua forma mais etérea e livre. Um jazz que solta a voz do saxofone e que o deixa fundir-se com as outras vozes. E essa a magia deste disco, a magia de uma fusão inesperada que desperta os sentidos.
Fica o convite... Ouse descobrir este som.
2004/05/28
Livros: Mulheres que amam demais

«- Não faz ideia do ponto a que cheguei para atrair a atenção dos homens. Já corri de um lado para o outro tirando a roupa, sussurando-lhes ao ouvido e pondo em práctica todos os truques de sedução que conheço. Ainda estou a tentar atrair a atenção de alguém que não está lá muito interessado em mim. Creio que a maior realização que sinto com o David, quando fazemos amor, é ser capaz de o excitar ao ponto de o distrair daquilo que ele,de facto, preferia estar a fazer. Detesto admitir isto, mas tem sido o que mais me seduz, conseguir que o David ou o Jim ou quem quer que seja me dê atenção. (...)»
Simples, não vos parece?
"Mulheres que amam demais", Robin Norwood
2004/05/26
Momentos: Delirantes...

In "Diário do último ano", Florbela Espanca
2004/05/24
Segundos...

Friedrich Hebbel
2004/05/23
Entre-aspas: Um chá!?!

«Estamos na casa de Alberto.
ALBERTO: Sara! Sara! Sara!
SARA: O que é?
ALBERTO: (entrando vindo da cozinha, abraçado a um saco de água quente) Chá!
SARA: (no quarto) Tenho de me ir embora.
ALBERTO: Para onde?
SARA: (entra, vestindo uma gabardina e sapatos) A minha casa. Tenho de lá ir.
ALBERTO: (sentando-se na cadeira) Não podes.
SARA: Não posso?
ALBERTO: Só um chá, Sara.
SARA: Não posso porquê?
ALBERTO: Porque eu estou doente.
SARA: E eu estou atrasada.»
T1, de José Maria Vieira Mendes.
Uma produção dos Artistas Unidos em cena no Teatro Taborda até 30 de Maio.
2004/05/22
Música: Parabéns Morrissey!

Bush aparece, anónimo, com os seus olhos azuis desprovidos de amor, calor ou humor. Mas não são só os Estados Unidos a sofrer com a mordacidade de Morrissey, porque o seu país também é despido e exposto, tal como a religião e as suas promessas. A solidão, sempre a solidão, volta uma e outra vez, com momentos de tristeza e de raiva, como quando ele pergunta como pode alguém saber como ele se sente. E o álbum acaba com ele a dizer-nos que já devíamos saber que ele não podia durar... Uma mensagem contrariada por este disco inspirado. Já tenho banda sonora para os próximos dias...
2004/05/20
Livros: Uma fatiazinha de transcendência

E foi assim que descobri Estes Difíceis Amores de Júlio Machado Vaz, um livro de histórias e de emoção, emoção partilhada e vivida... Um emoção quase tão forte como a sabedoria com que ele nos leva pela mão através dessas histórias. Mas eu acho que é a emoção que o leva a perguntar e a saber responder...
O que esperamos das relações? Uma fatiazinha de transcendência.
2004/05/19
Segundos...

R. D. Laing
2004/05/18
Momentos: ...de lucidez

Sou um fidalgo da corte, desses que servem
Para aumentar a comitiva, abrir uma ou duas cenas,
Dar conselhos ao príncipe; instrumento dócil, é claro,
Reverente, satisfeito por ser prestável,
Político, meticuloso e avisado;
Cheio de sentenças doutas, um tanto obtudo todavia;
Às vezes, por sinal, quase ridículo -
Quase o bobo, às vezes.
T. S. Eliot, A Canção de Amor de J. Alfred Prufrock
2004/05/16
Entre-aspas: Inocentes, nós?...

Um dia , ou uma noite, o rapaz massacra uns civis inocentes, porque perdeu o controlo dos nervos. Ou torna-se de repente num sádico. E descobre que gosta de matar. Este gosto amargo e doce, o de possuir outro ser humano, o de aviltar, o de humilhar, o de o seviciar e ser o dono dele, é um travo que fica na boca. (...)
Aconteceu sempre, aconteceu na nossa guerra colonial - as cabeças empaladas dos negros, as negras esventradas e violadas, nuas - fotografias passadas de mão em mão como símbolo de força e riso num lugar de lágrimas. É isto, também a guerra. Mas o Presidente Bush não sabe, porque nunca saiu do Texas. É como nós, um inocente. Mas é o Presidente.»
Por mim, resta-me dizer que não tenho palavras...
Crónica de Clara Ferreira Alves, Revista ÚNICA, Jornal EXPRESSO de 15 de Maio 2004
2004/05/14
Segundos...

Há que viver na luz do infalível
Sul
Jim Morrison
2004/05/12
Livros: Em busca da Arca perdida

Essa aventura levou-o ao longo da geografia do mundo, conduzindo-o através de mitos que estimulam a imaginação de boa parte da humanidade há muitas gerações. Procurar a Arca da Aliança levou-o ao encontro das lendas do Graal e dos mistérios dos Templários, misturados com fontes medievais e figuras misteriosas da Bíblia como a Rainha de Sabá. Depois de quase dez anos de riscos bem reais, Hancock acabou por regressar ao local onde tudo tinha começado. Terá encontrado respostas?
2004/05/11
Música: O verdadeiro Elvis!

Elvis Costello veio ao velho continente para fazer os seis únicos concertos que tem em agenda para este ano. Acompanhado apenas pelo pianista Steve Nieve, actuou três vezes em Portugal depois de dois concertos em Itália e um no Reino Unido. Vê-lo foi um privilégio raro e uma surpresa. Costello é enérgico, um poeta com sentido humor que soube colocar uma plateia inteira de pé durante as suas últimas 10 músicas... Sem demonstrar cansaço, e com uma entrega muito pouco comum, Elvis surpreendeu-nos com a facilidade com que mudou tantas vezes de género musical ao longo do concerto. Do soft jazz para o rock puro e duro, das baladas suaves para os blues intensos. Por momentos, senti que estávamos num bar, algures por essa Inglaterra que não conheço, num espaço privado e intimista, com alguém que tocava simplesmente por prazer. Sem qualquer obrigação de ali estar. Momentos perfeitos. A repetir!
2004/05/09
Segundos...

Bernardo Soares
2004/05/07
Momentos: Incongruentes

VLADIMIR: Que noite encantadora.
ESTRAGON: Inesquecível.
À espera de Godot, Samuel Beckett
2004/05/05
Livros: Carta de Lisboa

«Lisboa.... Acreditar que tudo tem início aqui é, em si, uma ilusão. O mar fica já ali, naquele varandim, logo acima da colina. É como um desejo onírico. Algo que nos prende ao chão e, simultaneamente, desafia a gravidade, acenando-nos sem fazer o menos gesto: um gato que teria a memória de todos os gatos. Mas um daqueles que nos fita, de olhos perdidos no vazio, no olhar de quem entramos mercê apenas do seu campo magnético, e que nos segue para todas as direcções possíveis porque não sabe fazer de outro modo, e aliás pouco lhe importa se o faz ou não. A cidade é algo em equilíbrio à janela entre o fim de um continente e mil outros.»
A Carta de Lisboa é um livro invulgar, uma declaração de amor. Eric Sarner escreveu-a e Miguelanxo Prado ilustrou-a como só ele sabe fazer. Um galego apaixonado por Lisboa que mesmo conhecendo Lisboa descobriu outra Lisboa feita de escadas, pombos, cães, gatos... Uma Lisboa com roupa estendida nas janelas, ruas que servem de ponto de encontro, eléctricos que surgem ao virar da esquina ou que flutuam para lá da realidade. Uma cidade de gaivotas que se lembra de Pessoa, que espera por D. Sebastião ou por um cacilheiro. Uma cidade de fado, naus e cores fortes. Uma Lisboa feita de luz que dá prazer encontrar.
2004/05/04
Segundos...

é a categoria tempo
Fernando Assis Pacheco
2004/05/03
Entre-aspas: Chocolate, meu amor...

«O prazer sem culpa é algo cada vez mais raro. A excepção parece ser, afinal, o chocolate. (...) A expressão, em língua azteca para designar o cacau, e que deu origem à palavra chocolate, significava dádiva dos deuses. (...) Os aztecas chegaram a utilizar o cacau como moeda. Com cem grãos, por exemplo, comprava-se um bom escravo. (...)
A sensação de felicidade produzida pelo consumo de chocolate, e que, segundo especialistas, é muito semelhante (em termos químicos) à de um organismo apaixonado, explicaria o motivo por que tantas mulheres se tornam viciadas nele. Nada contra. (Ah! Novos estudos sugerem que o cacau tem propriedades adelgaçantes!)
A maioria dos homens não vale cem grãos de cacau. Os homens não têm flavanóides nem polifenóis, não têm propriedades adelgaçantes, e os que têm já estão casados. Eu prefiro os chocolates.»
Faíza Hayat, Crónica, Revista Xis, Público, 1 de Maio de 2004
Há, de facto, mulheres com opiniões curiosas sobre os homens... ;-)
2004/05/02
Música: No quarto do lado

The Girl in the Other Room é um disco de jazz invulgar. Em vez de voltar a fazer outro disco de standards, Diana Krall optou desta vez por escrever canções originais com Elvis Costello, para além de reinventar canções de Joni Mitchell, Mose Allison, Chris Smither, Tom Waits e mesmo de Elvis Costello. São 12 as canções que compõem o álbum e, apesar das suas diferentes origens, formam um todo tão coerente que parecem ter sido todas compostas de propósito para integrarem este CD. E se gostei de The Look of Love, gosto ainda mais deste novo disco, que termina pedindo para recomeçar. Não deve ser por acaso que a última faixa se chama Departure Bay...