2004/03/31
Música: 2 Em 1

O Jazz e o Flamenco, encontram-se aqui gerando em nós o turbilhão de sentimentos inerentes ao Flamenco; o Jazz entra como analgésico que dá prazer à dor. A sensação é tão fantástica quanto a mistura de whisky com chocolate, se não experimentaram, não sabem o que perdem. Ouvidos bem abertos para o som e o ritmo da "caixa" que se ouve ao longo do disco.
2004/03/30
Entre-aspas: Um ano de ti...

«No sábado fizeste duas semanas. Foi dia dos namorados. Pela primeira vez eu e a tua mãe não fomos almoçar ou jantar fora. O almoço foi uma romântica lasanha fria pelas 5 da tarde. Depois dela te dar de mamar, trocar a fralda duas vezes e voltar a dar mama. Quando almoçamos já nem vontade tínhamos de comer. Mas ficámos felizes por acender uma vela, brindarmos ao futuro e devorarmos o comer em dez minutos pois já se aproximava a hora de acordares para nova mamada. Além disso havia ainda o chassis do teu carrinho que se partiu após três ou quatro saídas à rua e que precisava de ser trocado e tantas, tantas pequenas coisas por fazer. As tarefas agora nunca acabam e sentimo-nos corredores de maratona que nunca podem parar pois a estrada não acaba nunca e, por muito cansados que estejamos, há sempre mais qualquer coisa que não pode esperar para depois.»
in Um ano de ti, 16 de Fevereiro
2004/03/29
Momentos: Sobre o caminho

Nem o branco fogo do trigo
nem as agulhas cravadas na pupila dos pássaros
te dirão palavra.
Não interrogues não perguntes
entre a razão e a turbulência da neve
não há diferença.
Não colecciones dejectos o teu destino és tu.
Despe-te
não há outro caminho.
Eugénio de Andrade
2004/03/27
Teatro: O amor de Fedra

Porque te amo? Porque me perturbas...
De Sarah Kane, encenação de Jorge Silva Melo e Pedro Marques (até dia 25 de Abril de 2004, no Teatro Taborda)
2004/03/26
Música: Acredita na Primavera?

Não é por acaso que Bill Evans é considerado um dos pianistas mais importantes do jazz e que o seu legado influenciou outros génios como Keith Jarrett, Herbie Hancock ou Chick Corea. E não é por acaso porque a sensibilidade com que Evans toca as teclas do piano é um fenómeno único, um diamante cuidadosamente lapidado que espera apenas pelos nossos ouvidos atentos para ser apreciado. Gravado ao vivo em Agosto de 1977, com o contrabaixista Eddie Gomes e o baterista Eliot Zigmund, este disco esperou mais de dez anos para ser editado. Só em 1988 é que viu a luz do dia, oito anos depois da morte prematura do pianista. E, agora que a primavera chegou, apetece-me mesmo acreditar nela...
2004/03/25
Entre-aspas: "Fazer as pazes" connosco...

(...)
E só ao criar esta amizade - que é reconciliação - connosco próprios é que podemos compreender verdadeiramente ou outros e reconciliarmo-nos com o mundo. »
Revista XIS, Jornal Público de 20 de Março 2004
2004/03/24
Música: A menina dança?

Escreve estas linhas quem tem dois pés esquerdos, e que o mais perto que consegue estar de uma pista de dança é junto ao bar!
A propósito:
- A menina dança ?
2004/03/22
Momentos: O meu amor...

«...o meu amor
tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios,
de me beijar os seios
Me beijar o ventre
e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa, ai... »
Chico Buarque
2004/03/21
Livros: Nomes que enchem dias

E isto a propósito de Nenhum Nome Depois, o seu último livro de poemas. Poemas que se desenrolam com sabor a prosa. Poemas que evocam histórias mais vastas. Poemas que desenham breves esboços na imaginação de quem lê. Poemas que sugerem muito mais do que contam. Poemas que percorrem um universo pessoal de amor e perda, de abandono e morte. Poemas que se lêem e perduram na memória...
«Nunca soube o teu nome. Entraste numa tarde,
por engano, a perguntar se eu era outra pessoa -
um sol que de repente acrescentava cal aos muros,
um incêndio capaz de devorar o coração do mundo.
Não te menti; levantei-me e fui levar-te à porta certa
como um veleiro arrasta os sonhos para o mar; mas,
antes de te deixar, disse-te ainda que nessa tarde
bem gostaria de chamar-me outra coisa - ou
de ser gato, para poder ter mais do que uma vida.»
2004/03/19
Entre-aspas: As pálpebras

A lenda diz que nasceram plantas de chá no lugar onde as pálpebras caíram por terra. Embora actulamente a cerimónia do chá seja principalmente um ritual, permanece o propósito de união de corpo e mente. A cerimónia pode parecer demasiado meticulosa e estilizada, mas, na verdade, preserva a mais pura simplicidade de movimentos.»
in Livro do ZEN, Eric Chaline, Editora Dinalivro
2004/03/18
Livros: Ao virar da página...

«Todos nós já nos cruzámos, na nossa vida privada ou no trabalho, com seres destituídos de escrúpulos, calculistas, astuciosos, manipuladores, com condutas algo "retorcidas". De igual forma, a história é rica em homens de poder que faltam aos seus deveres, abusam das suas prerrogativas, pretendem atingir os seus objectivos custe o que custar, desprezando as pessoas, as regras comuns, o interesse geral. A imprensa tira partido do cinismo deste ou daquele homem político. Em todo o lado se ouvem hoje lamentos sobre a "crise de valores" que alegadamente atravassaríamos, sobre a corrupção, que se generalizaria, e sobre a ausência de normas, o que conduz à proliferação de comissões deontológicas e de ética. (...) Não basta ficar pela pura e simples rejeição, pela reprovação indignada. É verdade que ninguém gosta de ser enganado, explorado, manobrado. Porém, a melhor maneira de se proteger não consistirá em compreender em vez de condenar?»
É isso que Alberto Eiguer nos propõe, que conheçamos o mitómano que cria uma personagem para si próprio e para os outros, o falso-self que se perde na sua própria fachada, o perverso-narcísico que se faz valer à custa dos outros, o cínico político que se refugia na retórica vazia, o masoquista que arranja maneira de continuar a sofrer, o psicopata que "viola" para roubar o amor ou o jogador que se arrisca a si próprio para ganhar a emoção. Mas Eiguer não descreve monstros que só se encontram em cativeiro, descreve pessoas que nos rodeiam. Descreve mesmo, por vezes, partes de nós próprios. É por isso que este é um livro para ler devagar, com cuidado. Como se ao virar da página pudéssemos ter um encontro inesperado...
2004/03/17
Momentos: Estação

vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho
Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me e eu não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça
Mário Cesariny
2004/03/16
Teatro: Vagabundos de nós...

Título do artigo no Expresso: "falar do irremediável" como se de um fardo tratasse...
Caricatura no Herman SIC sobre a peça: panóplia de imagens tipo divertidas (?) de um conceito de homossexualidade que há muito não é por aí... os risos nervosos e sarcásticos para transmitir mensagens...
Seja lá como for, ainda não estamos preparados para dizer não há diferenças, há diferenciados. Estes últimos são os que conseguem ver... os outros são os que andam por andar, mas sempre sem quererem ver. O que fará as pessoas rejeitarem a homossexualidade? A atracção-repulsa que não conseguem discernir?! Ou será o simples facto de capear a sua própria história... ou então não é nada disto, é um simples "deixa estar, comigo (ou com filho meu) nunca será assim". A peça fala em disfuncionalidade familiar. Eu sugeria começarmos pela disfuncionalidade individual versus a social. Mesmo porque as famílias não sofrem disfuncionalidades derivadas das opções sexuais. O conceito de família nos dias de hoje é, por si só, disfuncional.
Bom, mas vou ver a peça. Na esperança que não se toque no medo simplesmente através do território onírico (como sugere Luís Osório, encenador e adaptador do texto de Daniel Sampaio), mesmo porque a homossexualidade é uma realidade e não um sonho. E há realidades que é bom que comecemos a aceitar, para não ficarmos vagabundos de nós mesmos...
2004/03/15
Momentos: Um lugar nenhum

in Pioravante Marche, Samuel Beckett
2004/03/14
Entre-aspas: A face atrás de um blog...

Sentir é muito mais do que ler o outro. Foi bom o atrevimento de procurar as faces que se encontram do outro lado da rede, as faces de quem escreve os textos que lemos todos os dias.
2004/03/12
Livros: Como tornar-se doente mental

Bem a resposta a esta pergunta não te sei dar, apesar de andar há muito tempo, a aprender, ou não!
(...) se há parte das pessoas que nos rodeiam (...) que pensa que sabe exatamente o que nós somos, existem sempre alguns cépticos ou ingénuos, ou as duas coisas...que vivem num dilema profundo, e é a esses que temos de ajudar, ou não!
(...)
Esta é uma árdua tarefa, para a qual te motivo. Para te tornar mais fácil e menos penoso o caminho ofereço-te este livro que espero que te ajude a aprender ou não!»
Esta é parte da dedicatória de alguém muito especial que me ofereceu este livro. Este livro explica como adquirir uma doença psiquiátrica... explica que, mais difícil ainda, é manter-se saudável no meio desta complicada civilização consumista. Já o folheei, li partes do princípio ao fim... É controverso, provocador e por vezes acabamos mesmo por reagir à excessiva observação de nós mesmos e do potencial de pertubação mental latente em alguns de nós. Utiliza uma abordagem invulgar, desesperada por vezes. Mas fascinante. Repito o que atrás escrevi: perturbação. Nada mais que isso.
Só para curiosos(as), ou não!
Colecção Psicologia Clínica e Psiquiatria, J.L. Pio Abreu , Editora Quarteto
2004/03/11
Livros: Ainda há heróis?

Mas a fantasia é só um veículo para introduzir uma metáfora em que o Reino da Lysitaya não é mais que Portugal e em que as princesas nem sempre são o que se espera... Jorge, o personagem principal, é um herói improvável. Um jovem de 18 anos, perdido na sua timidez, que se refugia na leitura obsessiva e num Clube dos Poetas Semi-Vivos cuja bebida oficial é o Ginger Ale, sem limão! Mas Jorge é raptado para outro universo por três pequenas criaturas e fica nas mãos da sábia Shenazimm, que o coloca perante enormes riscos, face aos quais se descobre adulto. É perante estes riscos que os seus conhecimentos, aparentemente inúteis no seu mundo, se revelam preciosos...
É difícil catalogar este livro... A fórmula do género é tão familiar como é habitual em João Aguiar a forma como a subverte. Não é, certamente, o melhor romance deste autor, mas é um livro que vale a pena percorrer e que desperta um sorriso bem disposto quando se chega ao fim. Gostei.
2004/03/09
Música: Redescobrindo...

Depois do assombro inicial, lembro-me de ter partido em busca dos detalhes... E há tanta coisa que torna único este disco... Gravado numa única noite, com um único microfone ligado a um gravador DAT, respirando a acústica e a paz da Igreja da Santa Trindade, em Toronto... Mas perto do fim do disco encontrei uma música que captou a minha atenção de forma especial. No vinil tem mais ruído do que qualquer outra. Acho que é por a ter passado tantas vezes durante os anos em que fiz programas de rádio... É Sweet Jane, uma canção de Lou Reed, escrita e perdida no período final dos Velvet Underground, que aqui reencontra uma nova alma, um novo fôlego. E esta é uma música especial... Uma vez descoberta, acompanha-nos. Parte e regressa nos momentos que mais importam. Dá-nos a banda sonora perfeita para os momentos de viragem, de descoberta, de reencontro... E foi ao som de Sweet Jane que entrei pela noite dentro...
2004/03/08
Momentos: ...de ser Mulher...

Cada um de nós saberá o que significa Ser, Amar, Partilhar, Sentir a Mulher... Basta pensar nisso.
2004/03/07
Momentos: Carta à filha

"Carta à minha filha", Inês Pedrosa, Revista Única, Expresso, 6 de Março de 2004
2004/03/06
Entre-aspas: Lendas de amar...

Acredita-se que a peónia mantém vivos o romance e amor.»
In "O pequeno livro Feng Shui", Lillian Too
2004/03/03
Momentos: Tentações modernas...

«Vivendo em sociedades que funcionam a mil à hora, a primeira tentação é não parar.
(...) Muitos de nós vivemos vidas intensas, ocupados em construir carreiras, a coleccionar hobbies e a adaptarmo-nos à modernidade. Mas não é nisso que pecamos, porque no fundo, somos vítimas do nosso tempo. Pecamos, sim, por nos julgarmos auto-suficientes e por sermos incapazes de ter a humildade de pedir ajuda. Por acharmos que sabemos tudo e que não precisamos de nada nem de ninguém para nos orientar, ficando contagiados pela arrogância. Pecamos quando não dizemos a verdade e deixamos de ter referências que nos orientem, achando que somos senhores de nós mesmos. (...)
In "Tentação e Pecado", Revista "XIS", Jornal Público de 28 de Fevereiro de 2004
Entre-aspas: Alguém falou em perceber?

Pobre homem. Teria menos necessidade de recorrer à cocaína se se tivesse dedicado a descobrir o Santo Graal ou mesmo o elixir da vida. Coitado dele e de todos os outros que se lançam na mesma demanda. É que, para a missão ter algum sucesso, era preciso, para já, para já, que houvesse realmente uma verdade a desvendar. Ou seja, que as própria fizessem a mais pequena, a mais ligeiríssima, ideia do que desejam.
Teoricamente andam em busca da alma gémea. Do amor a que se podem dedicar de alma e coração, encontrando assim uma razão de ser para a sua existência. Alguém a quem mimar com os seu refogados e que reunisse as condições para ser o pai do filho que qualquer mulher deseja conceber. É bonito, mas não pega. Talvez seja mais verdadeiro afirmar que querem ser o centro das atenções, a razão de ser de alguém, ou como a minha amiga Xana tão bem resume: "Ser desejada, acima de tudo e, principalmente, de todas!" E é claro que este desejo se deve manifestar por palavras, por actos e sem omissões.»
Guia para ficar a saber ainda menos sobre as mulheres, Isabel Stilwell
2004/03/02
Filmes: Alguém tem que ceder

Pelo meio das gargalhadas que arranca à plateia, este filme passeia pelas convenções e modelos sociais e atira-se aos medos que as relações amorosas evocam. O medo de sofrer, o medo do compromisso, o medo de um possível abandono... Todos os medos que, tantas vezes, nos impedem de saborear em pleno o gosto do presente. É por isso que sabe bem rir com as interpretações de Jack Nicholson e de Diane Keaton, ambos extraordinariamente em forma. Sabe bem rir porque, no fundo, do que nos rimos é dos nossos próprios medos.
2004/03/01
Teatro: As obras de Shakespeare?

As Obras Completas de William Shakespeare (em 97 minutos)
Companhia Teatral do Chiado, Teatro-Estúdio Mário Viegas